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sábado, 13 de setembro de 2008

Sobre minha outra avó...

Hoje, estava na sala e, olhando para o lado, me lembrei da minha avó.
Minha avó paterna era portuguesa, veio nova para o Brasil, e casou também com um português. Ela era a pessoa mais simples e despojada que conheci, bem diferente da outra, a materna, que era bem vaidosa até os 97 anos de vida.
Minha avó chamava-se Ismênia, tinha os cabelos muito brancos e cacheados.
Era bem calma. Fazia o serviço da casa e cuidava de muitos cachorros que apareciam por lá. Meu pai morava com ela em Santa Tereza, na Ladeira do Castro, nem sei se ainda existe. Era um lugar muito alto e ela quase não saía de casa.
Adorava fazer geléias e licores com as frutas das árvores do quintal. Eram muitas: goiabeira, ameixeira, pitangueira, entre outras.
Quando eu ia lá passar o dia, ela mandava meu pai comprar um montão de coisas para me agradar, mas eu não era de comer, era meio enjoada, e sei que a deixava triste, mas na hora de voltar para casa em Niterói ela me dava sempre um embrulho com as coisas que sabia que eu tinha gostado. Uma figura!
Mas o que me marcou muito foi um gesto dela quando me formei professora. Os meus dois primos (faleceram muito jovens) não gostavam de estudar e moravam em São Paulo, ela então se encantou por eu me formar, coisa que ela não pôde fazer. Daí teve um gesto lindo. Saiu de casa, foi até a cidade e comprou um anel de formatura para mim (na época, 1959, toda normalista usava), e fez isso escondido de meu pai. No dia da minha formatura ela comprou roupa nova e veio toda arrumada. Antes de ir para a missa ela me chamou e me deu o anel. Nossa, foi um momento inesquecível, pois nem meu pai tinha pensado nisso e minha família de criação não tinha como comprar um anel tão lindo. Tenho até hoje e, ao pegá-lo, penso como ela juntou o dinheirinho que meu pai lhe dava para me dar esta alegria.
Infelizmente, não pôde ver muito o anel no meu dedo, pois morreu um ano depois.
Mas ela era tão especial comigo que nunca reclamou de minha mãe não ter me deixado com ela e meu pai.
Sempre que ganhava algo de meu pai dizia que ia guardar para mim. Foi o caso de um faqueiro de prata e uma máquina de costura pequena da Singer, uma das poucas feitas naquele modelo. Como ela gostava de costurar, meu pai deu uma para ela, porém nunca foi usada, seria para mim quando ficasse moça. À época dos meus quinze anos, já costurava na máquina da minha mãe que era sem motor, então, ela resolveu me dar. Fiquei radiante de ganhar um presente tão maravilhoso: máquina com motor!!!! Foi demais! Desandei a costurar. Por incrível que pareça ela funciona até hoje, mas a modernidade não me deixa mais usá-la, pois não consigo técnico para a manutenção. Esqueci-me de dizer que fiz todo o meu enxoval nela , além do enxoval das duas primeiras filhas.
Para que entendam a minha lembrança da vovó olhando para o lado na sala nem é preciso dizer, olhei para a máquina tão querida que hoje está num cantinho especial da minha sala servindo de decoração. E, para que todos vejam como é linda, mas principalmente pelo que ela representa para mim, mostro a foto para que todos conheçam a minha máquina linda!


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