
Desde criança escutava a Carmen Miranda cantar. Minha mãe ouvia todos os programas de rádio em que ela cantava. Ela dizia que era a voz mais bonita que ouvira e eu não gostava. Mas fui crescendo e começando a ver os filmes nos quais ela cantava, usando sempre as suas roupas extravagantes e comecei a ver que minha mãe estava certa. Ela era uma grande cantora. Lembro de quando vi o filme em que ela cantava com o Zé Carioca, adorei, além de achar o máximo naquela época ela usar roupas com a barriga de fora.
Não cheguei a ser sua fã, até porque ela morreu muito cedo e eu tinha só 14 anos na ocasião. Lembro bem do dia de sua morte. O Brasil parou para chorar e uma semana depois, quando o corpo chegou, foi uma enorme comoção no seu enterro. Ouvi no rádio. Os locutores choravam e a multidão acompanhava em silêncio e muitas lágrimas. Até hoje seu túmulo é reverenciado. Imagino este ano como será, afinal ela faria 100 anos.







Pouco depois de seu nascimento, seu pai imigrou para o Brasil e aqui ela ganhou o apelido de Carmen (graças ao gosto que seu pai tinha por óperas).
Sua carreira artística transcorreu no Brasil e Estados Unidos, entre as décadas de 1930 a 1950.
Trabalhou no rádio, no teatro revista, no cinema e na televisão. Chegou a receber o maior salário até então pago a uma mulher nos Estados Unidos.
Seu grande sucesso veio a partir de 1930, quando gravou a marcha “Prá você gostar de mim” (Taí), de Joubert de Carvalho.
Fez muitos filmes no Brasil e em 1936 estrelou “Alô, Alô, Carnaval”, com uma cena em que ela e a irmã Aurora cantavam “Cantoras do Rádio”.
Em 1933, fez “A Voz do Carnaval” e, em 1935, “Alô, Alô, Brasil”, entre muitos outros.
No final de 1930, devido ao grande sucesso, fez sua primeira excursão internacional para a Argentina e cantou em Buenos Aires.
Em 1939 foi contratada por um empresário americano que a viu cantando em um transatlântico. Assinou o contrato, fez questão de levar o grupo musical Bando da Lua para acompanhá-la, mas não conseguiu. Ao chegar aos Estados Unidos, fez valer sua vontade e eles embarcaram.
Em maio de 1939 estreou o espetáculo musical “Streets of Paris” em Boston.
Chegou a cantar na Casa Branca, para o presidente Roosevelt, em um banquete.
Quando voltou ao Brasil foi considerada “americanizada” e recebeu muitas críticas.
Voltou para os Estados Unidos, e entre 1942 a 1953, atuou em 13 filmes em Hollywood e também em importantes programas de rádio, televisão, casas noturnas, cassinos e teatros.
Casou-se em 1947 com o americano David Sebastian. O casamento é apontado por seus biógrafos como o começo de sua decadência física. Ele tornou-se seu empresário e conduzia mal seus negócios e contratos. Como era alcoólatra pode ter estimulado Carmen Miranda a consumir também bebidas alcoólicas, das quais ela logo tornou-se dependente. Além do álcool, tornou-se dependente de vários outros remédios, estimulantes e calmantes, além de fumar.
Em 1954 esteve no Brasil após 14 anos de ausência e seu médico tentou desintoxicá-la. Ficou quatro meses internada em tratamento. Melhorou, mas não abandonou completamente as drogas, o álcool e o cigarro.
Voltou para os Estados Unidos em abril de 1955 e começou novamente a fazer apresentações em turnês por Cuba e Las Vegas.
No dia 05 de agosto de 1955, durante uma apresentação em um programa de televisão, não passou bem e desmaiou. Voltou para casa em Beverly Hills, e, por volta das duas horas da manhã, despediu-se dos amigos e foi para o seu quarto. Um colapso cardíaco fulminante a matou. Estava com 46 anos.
Seu corpo foi embalsamado e chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto, sendo enterrado no Cemitério São João Batista.
Carmen Miranda, apesar de ter morado quase toda a vida no Brasil e nos Estados Unidos, nunca se naturalizou cidadã de qualquer um destes países. Foi sempre cidadã portuguesa.

